Aliado direto do presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), se mantém em silêncio diante da renovação do decreto que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e que coloca em risco a sobrevivência da Zona Franca de Manaus (ZFM). O dispositivo legal foi publicado ontem (01) no Diário Oficial da União.
Wilson Lima não anunciou nenhuma medida de proteção à Zona Franca nas últimas 24 horas, nem nas redes sociais pessoais tampouco nas páginas oficiais do Governo do Amazonas. Ontem, horas depois da renovação do decreto, o governador viajou ao município de Rio Preto da Eva, pela manhã, onde inaugurou restaurante popular e anunciou ações governamentais à cidade; à noite realizou evento político-partidário do União Brasil na Assembleia Legislativa.
O silêncio para evitar o desgaste contra o aliado presidente é questionado por autoridades políticas e representantes da indústria, sobretudo porque o governador se mostrou indiferente diante do ataque brutal contra a economia do Amazonas.
Wilson Lima chegou a informar, em coletiva ocorrida no dia 27 de fevereiro, que já tinha autorizado a Procuradoria Geral do Estado (PGE) a entrar com uma medida judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) de modo a garantir o modelo Zona Franca. Todavia, até o momento, a ação não foi protocolizada pelo governo. Pelo contrário, Wilson Lima viu o seu inimigo político, o vice-governador Carlos Almeida (PSDB) entrar com o recurso na Justiça.
Promessa
No dia 9 de março, o governador do Amazonas propagou que tinha recebido a promessa do presidente Jair Bolsonaro da reedição de um novo decreto retirando os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus da redução de 25% no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Na época, o sectário de Bolsonaro, o governador Wilson Lima foi recebido pelo presidente e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no Palácio do Planalto, e demais representantes do Polo Industrial e políticos aliados, com exceção do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).
A promessa de Bolsonaro a Wilson Lima não foi cumprida e pelo contrário, o governo federal publicou novo decreto sobre a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) permanecendo em 25%. O ataque à Zona Franca se dá pela isenção do imposto para as empresas do distrito industrial. Caso a medida não seja revista, a competitividade do polo será afetada e por conseguinte a economia amazonense.
Atitude
O presidente do Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, disse que a redução do IPI sem a excepcionalidade de produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM) frustra as expectativas dos empresários. Segundo ele, é preciso “mudar de atitude, de postura, com altivez do tamanho do nosso estado”, para que os direitos do Amazonas sejam respeitados.
Périco disse que o acordo foi feito entre o presidente da República e o governo Estado e que o governador Wilson Lima tem que liderar e garantir que o acordo seja honrado. “Se as equipes que deveriam estar trabalhando juntas e não estão – porque a equipe do Ministério da Economia (ME) não responde à equipe do estado do Amazonas, isso é o governado do Estado que tem que conversar com o presidente da república e colocar isso nos eixos”, afirmou.
Luta
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal), Valdemir Santana, disse, ontem (01/04), que o governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), precisa lutar pelos interesses do povo e não pelos próprios interesses políticos e partidários.
Valdemir Santana, que também é membro da Central Única dos Trabalhadores (CUT), questionou “a morosidade” das ações de Wilson Lima diante do decreto que coloca em risco a economia do estado e, por consequência, a manutenção dos empregos e a própria floresta.
“O governador do estado já era para ter entrado com uma ação contra o federal em benefício do povo do Amazonas, em benefício do mundo (SIC). Porque se não tiver emprego em Manaus, vai desmatar a floresta. Não vai ter mais água em SP para aguar os canaviais e cafezais lá”, disse, informando que a CUT fará uma grande manifestação contra o governador nos próximos dias.



























































