Por Jesem Orellana*
Circula um vídeo do governador Wilson Lima, acompanhado de sintomático silêncio do secretário estadual de Saúde e da presidenta da FVS-RCP (ambos estavam com expressão facial que não era de contentamento), comentando a “desobrigação do uso de máscaras em todo o estado do Amazonas”; apenas com base na inegável redução de casos confirmados, internações e mortes por COVID-19.
Não precisa ser especialista para saber que em cenário de ampla negligência sanitária e sem qualquer evidência sólida de controle da epidemia, seja possível abrir mão do uso de máscaras de forma tão ampla assim no Amazonas, palco de 3 das piores tragédias sanitárias de toda a pandemia e onde também sabemos que as coberturas vacinais (ao menos duas doses) estão muito aquém do valor mínimo de 90% recomendado em elegíveis à vacinação.
Esse número é ainda mais preocupante quando olhamos a quantidade de elegíveis que deixaram de tomar a terceira dose, somado aos que não tomaram e nem tomarão a vacina contra a COVID-19. É urgente que a Secretaria Estadual de Saúde e a FVS-RCP se pronunciem formalmente e assumam suas responsabilidades sanitárias.
Para isso, existem notas técnicas e outros mecanismos que, de fato, comprovem e convençam a sociedade que não se trata de mais um, entre tantos outros erros cometidos pelo governador bolsonarista Wilson Lima ao longo da epidemia.
O mesmo que é réu no Superior Tribunal de Justiça, no caso da compra de respiradores e que não assinou a carta aberta em defesa da Zona Franca, enviada ao inconsequente Bolsonaro por insistir em prejudicar o Amazonas. É inacreditável, mas este cidadão ousa buscar a reeleição com este histórico!
(*) Jesem Orellana – Jesem Orellana é epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz desde 2006, tem graduação em Enfermagem, mestrado em Saúde Pública e doutorado em Epidemiologia. É revisor de periódicos nacionais e internacionais e tem artigos e capítulos de livro publicados em diversas revistas e editoras do Brasil e do exterior. Também tem atuado, desde fevereiro de 2020, em projetos, consultorias e produção de diferentes materiais de cunho científico sobre a epidemia de COVID-19 no Brasil, em especial em Manaus, além de ter fornecido centenas de entrevistas para a imprensa nacional e internacional.
As informações neste artigo são de responsabilidade do autor.


























































