O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantém, nesta sexta-feira (17/7), os trabalhos de resfriamento do tanque atingido pelo vazamento de monômero de estireno em uma fábrica localizada no Distrito Industrial I, zona sul de Manaus. A operação busca reduzir a temperatura interna, evitar novos vazamentos e impedir que o tanque alcance níveis que possam provocar uma explosão.
Muitos moradores estão sentindo o cheiro do gás em áreas da capital amazonense. Muitas empresas suspenderam as atividades em razão do incidente químico ocorrido no distrito industrial.
Por medida de segurança, uma área de aproximadamente 300 metros no entorno da empresa permanece isolada. A temperatura do tanque é monitorada constantemente com equipamentos a laser, enquanto caminhões-pipa da Prefeitura de Manaus e do Corpo de Bombeiros auxiliam no resfriamento da estrutura.
A corporação informou que cerca de 80% do material ainda expelido pelo tanque é composto por partículas de água, com concentração do produto químico significativamente menor do que a registrada no primeiro dia da ocorrência.
A empresa responsável estimou que a situação poderá ser totalmente controlada até o final desta sexta-feira.
Fábrica é multada em R$ 4,5 milhões
Durante inspeção realizada na quinta-feira (16/7), a Prefeitura de Manaus autuou a empresa em 30 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), valor equivalente a R$ 4.554.300.
A fiscalização foi realizada por uma força-tarefa formada pelas secretarias municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), de Saúde (Semsa), pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e pela Defesa Civil Municipal.
As equipes fizeram medições atmosféricas e coletaram amostras para avaliar possíveis contaminações da água e do solo. De acordo com a Semmas, o índice de poluição no interior da área afetada ainda estava acima do limite tolerável para exposição humana, apesar da redução significativa do vazamento.
A empresa foi notificada a apresentar, no prazo de 20 dias, relatórios técnicos de segurança e contingência, Plano de Atendimento Emergencial, informações sobre o sistema de drenagem e a capacidade de tratamento. A autuação ainda está sujeita à apresentação de defesa pela empresa.
Oito pacientes permanecem internados
Desde o vazamento, 149 pessoas foram atendidas em unidades da rede estadual de saúde. Os principais sintomas relatados foram falta de ar, náuseas, dor de cabeça, tontura, irritação nos olhos e desmaios.
Desse total, 140 pacientes receberam alta médica e oito permanecem internados. Um homem de 67 anos, morador do Centro de Manaus, morreu após procurar atendimento relatando mal-estar. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), o paciente tinha histórico de doença respiratória crônica e já havia procurado atendimento durante a semana. A pasta informou que não foi constatada relação direta entre a morte e o vazamento.
Medições realizadas pela Defesa Civil em empresas próximas indicaram concentrações inferiores a 20 partes por milhão (ppm), dentro dos parâmetros monitorados e sem sinais de agravamento da qualidade do ar nas áreas avaliadas.
A orientação é que pessoas que apresentem irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar ou outros sintomas procurem a unidade de saúde mais próxima ou acionem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número 192.
Escolas continuam fechadas
Como medida preventiva, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar manteve suspensas, nesta sexta-feira, as atividades em 12 escolas estaduais:
EE Antônio Lucena Bittencourt;
EE Antóvila Mourão Vieira;
EE Bom Pastor;
EE Olavo Bilac;
EE São Luiz de Gonzaga;
EE Marquês de Santa Cruz;
EE Pedro Silvestre;
EE Nossa Senhora da Glória;
EE Antônio Bettencourt;
EE Joana Rodrigues;
EE Liberalina Weill;
EE Governador Melo e Póvoas.
O Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do Studio 5, que teve o funcionamento suspenso na quinta-feira, retomaria os atendimentos nesta sexta-feira.
Causas serão investigadas
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanha a execução do Plano de Ação de Emergência da empresa e fiscaliza as medidas adotadas para reduzir possíveis impactos ambientais. Conforme o órgão, a fábrica possui Licença de Operação válida até outubro de 2026.
Após a liberação da área pelo Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e a Polícia Técnico-Científica realizarão uma perícia no local para identificar as causas do acidente.





















































