O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) ultrapassou, neste sábado (18/7), mais de 70 horas de atuação ininterrupta no resfriamento do tanque da fábrica da Innova/Videolar, no Distrito Industrial de Manaus. A operação busca estancar completamente o vazamento de monômero de estireno, impedir o superaquecimento da estrutura e afastar o risco de uma eventual explosão.
Canhões de água são utilizados no resfriamento do tanque. A área permanece sob monitoramento das equipes de emergência, e somente profissionais diretamente envolvidos nos trabalhos de segurança e contenção estão autorizados a entrar nas instalações.
O incidente começou na quarta-feira (15/7). Ainda nas primeiras horas da ocorrência, os bombeiros, com o apoio da Polícia Militar, estabeleceram um perímetro de segurança de 300 metros. Cerca de dez viaturas, quatro canhões de água e 35 militares foram inicialmente mobilizados, além dos brigadistas da própria indústria.
O estireno tem densidade maior que a do ar, o que torna sua dissipação diferente da de outras fumaças e exige acompanhamento contínuo. Após a conclusão do resfriamento, os órgãos estaduais deverão realizar análises periciais para identificar as causas do incidente e estabelecer eventuais responsabilidades.
Fábrica parcialmente interditada
Na sexta-feira (17/7), a Prefeitura de Manaus determinou a interdição parcial da unidade industrial. A medida foi adotada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), com base em laudo técnico de análise de risco elaborado pela Defesa Civil Municipal.
A interdição impede a retomada das atividades da fábrica e proíbe o acesso de trabalhadores e pessoas não autorizadas. Somente as equipes técnicas responsáveis pela segurança e pela contenção do vazamento podem permanecer no local.
“Essa interdição parcial tem que ser para trabalhadores e demais pessoas da sociedade, sendo permitido o acesso somente para pessoas da segurança para sanar o risco. Enquanto não for sanado esse problema, somente as pessoas de segurança podem agir”, afirmou o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto.
Segundo a Prefeitura, a restrição continuará vigente até que o vazamento seja totalmente contido, os riscos sejam eliminados e os órgãos responsáveis emitam parecer favorável à retomada das atividades.
“Nossa prioridade é garantir a segurança dos trabalhadores, das equipes envolvidas e da população, mantendo o acompanhamento permanente da situação em conjunto com os demais órgãos que integram o Gabinete de Crise”, declarou o secretário-executivo de Proteção e Defesa Civil Municipal, coronel Lima Júnior.
Multa de R$ 12,5 milhões
Também na sexta-feira, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) multou a indústria em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental. A penalidade foi aplicada em razão da poluição atmosférica provocada pelo vazamento, que causou desconforto respiratório e olfativo à população atingida.
O Ipaam informou que acompanha a execução do Plano de Ação de Emergência da empresa e fiscaliza as medidas adotadas para conter a emissão do produto químico. A unidade opera com Licença de Operação vigente até outubro de 2026.
As equipes do órgão ambiental ainda avaliam possíveis impactos ao meio ambiente e o cumprimento das condicionantes da licença. Outras sanções administrativas poderão ser aplicadas caso novas irregularidades sejam identificadas.
Mais de 200 atendimentos
Desde o início da ocorrência, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) registrou 211 atendimentos relacionados à possível exposição ao estireno. Até o último balanço divulgado, somente um paciente permanecia internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em recuperação e com baixo risco de morte.
A orientação é que as pessoas expostas procurem uma unidade de saúde caso apresentem irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão ou dificuldade para respirar. Em situações de urgência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo número 192.
Como medida preventiva, a Defesa Civil orienta os moradores das áreas próximas a permanecerem em ambientes bem ventilados e desligarem aparelhos que captem ar externo, como sistemas de ar-condicionado e ventilação.
A liberação da fábrica e da circulação no entorno dependerá de nova avaliação técnica. Enquanto não houver a confirmação de que o tanque está estabilizado e de que não existe risco de novas emissões, os trabalhos de resfriamento e monitoramento deverão continuar.




















































