O presidente Lula e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, lançam neste sábado (30/5), durante o Rio2C 2026, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, a Tela Brasil, plataforma pública e gratuita de streaming do audiovisual brasileiro. A cerimônia também contará com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ampliando a oferta de conteúdos nacionais e fortalecendo as políticas públicas voltadas ao audiovisual brasileiro.
A Tela Brasil marca a criação do primeiro serviço público federal de streaming audiovisual do país, reunindo em uma única plataforma obras históricas, produções contemporâneas, conteúdos educativos e acervos de instituições federais de cultura.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destaca a iniciativa como estratégica para aproximar a população da produção audiovisual brasileira.
A Tela Brasil representa um avanço fundamental na democratização do acesso ao audiovisual brasileiro. Estamos garantindo que a população tenha acesso gratuito à nossa produção cultural, valorizando a diversidade, a memória e a potência criativa do país”, afirma
Tela Brasil
A plataforma estreia com 555 obras audiovisuais brasileiras, entre curtas, médias e longas-metragens, telefilmes e produções seriadas. O catálogo inicial é composto por 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas, reunindo produções realizadas entre 1910 e 2025 e oferecendo ao público um amplo panorama da história, da pluralidade e da riqueza do audiovisual nacional. Entre os conteúdos disponíveis estão 19 obras que representaram o Brasil na disputa pelo Oscar, além de produções voltadas à infância e à juventude, musicais, registros históricos e títulos reconhecidos em festivais nacionais e internacionais. Inicialmente disponível apenas na versão web, a plataforma terá acesso gratuito por meio do site telabrasil.cultura.gov.br, com login realizado via cadastro no Gov.br. As versões para Android e IOS estarão disponíveis em até 30 dias após o lançamento oficial.
O catálogo inaugural combina obras financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) com acervos de instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares. A seleção contempla diferentes formatos, períodos históricos, regiões do país e expressões culturais, incluindo cinemas negros e indígenas, produções dirigidas por mulheres, conteúdos voltados à infância e juventude, além de obras ligadas à memória, à sustentabilidade, à justiça climática e às identidades culturais brasileiras.
Entre os destaques estão clássicos que marcaram a história do cinema brasileiro, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Barravento e O Pátio, de Glauber Rocha; A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund; Carandiru, de Hector Babenco; Olga, de Jayme Monjardim; O Quatrilho, de Fábio Barreto; O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto; e Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes.
A seleção reúne ainda documentários de referência, como Jango e Os Anos JK, de Silvio Tendler; produções de Lúcia Murat, como Quase Dois Irmãos e Doces Poderes; além de títulos reconhecidos internacionalmente, como O Menino e o Mundo, Lixo Extraordinário e Ilha das Flores, eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) o melhor curta-metragem brasileiro da história.
Para a secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Gonzaga, a iniciativa representa um marco para o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor.
A Tela Brasil reúne, em um único ambiente público e gratuito, mais de um século de produção audiovisual brasileira. É uma plataforma que preserva a memória do nosso cinema, amplia o acesso da população à cultura e fortalece a circulação de obras que ajudam a contar a história, a diversidade e a identidade do Brasil”, destaca
Tecnologia pública e inovação brasileira
Desenvolvida pelo Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais da Universidade Federal de Alagoas (NEES/UFAL), a plataforma representa uma experiência inédita de desenvolvimento tecnológico público aplicado à cultura. O projeto mobilizou cerca de 80 profissionais, entre pesquisadores, desenvolvedores, técnicos, estudantes e bolsistas vinculados a instituições públicas de ensino superior de diferentes regiões do país.
A infraestrutura tecnológica da Tela Brasil é fornecida pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), responsável pela hospedagem da plataforma em nuvem e pela integração com o Gov.br. A solução garante estabilidade, disponibilidade e segurança para os usuários, além de autenticação unificada e proteção dos dados pessoais, fortalecendo a presença do audiovisual brasileiro em escolas, bibliotecas e espaços culturais.
Além da oferta gratuita de conteúdo audiovisual, a Tela Brasil foi concebida para operar sem publicidade, sem cobrança de assinatura e sem rastreamento comportamental para fins comerciais. O tratamento de dados segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), utilizando exclusivamente as informações necessárias para a prestação do serviço público.
Acessibilidade
A Tela Brasil chega ao público com um dos maiores conjuntos de recursos de acessibilidade entre as plataformas públicas brasileiras. Mais de 300 obras já contam com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras. A interface foi desenvolvida de acordo com as diretrizes internacionais WCAG 2.2 AA, referência mundial em acessibilidade digital.
TV Brasil na Tela Brasil
Acordo que será assinado durante a cerimônia, a parceria entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) permitirá a integração gradual do acervo da TV Brasil à plataforma Tela Brasil. Ao todo, mais de 150 títulos da emissora pública serão disponibilizados ao público, somando cerca de 3 mil horas de conteúdo audiovisual brasileiro.
Entre as produções que estarão disponíveis na plataforma estão programas como Sem Censura, referência em entrevistas e debates da televisão brasileira; Samba na Gamboa, que reúne música e conversa com nomes consagrados e novos talentos do samba; e Xodó de Cozinha. Os conteúdos serão incorporados progressivamente ao catálogo da plataforma nos próximos meses.
O acordo também prevê que futuros licenciamentos realizados pela EBC possam incluir a exibição das obras na Tela Brasil, ampliando continuamente o acervo disponível ao público. O acesso será gratuito, mediante login com conta Gov.br, tanto pela versão web quanto pelos aplicativos que serão disponibilizados nas lojas digitais.
Essa parceria levará ao sistema público de streaming Tela Brasil uma parcela substancial da memória da comunicação pública brasileira. É o casamento do MinC com a TV Brasil gerando muito conteúdo gratuito, acessível e de qualidade para toda a população brasileira”, afirma a presidente da EBC, Antonia Pellegrino
Além do acesso individual, o conteúdo poderá ser utilizado em exibições públicas de caráter institucional, cultural e educativo, sem finalidade comercial. A parceria também prevê um trabalho contínuo de pesquisa e curadoria no acervo da TV Brasil, resgatando produções históricas e conteúdos de relevância cultural, como o infantil A, B, Z do Ziraldo , criado pelo cartunista para a emissora; A Arte do Artista , apresentado por Aderbal Freire Filho; Oncotô, com Jorge Mautner; além de episódios clássicos de programas como Caminhos da Reportagem e Observatório da Imprensa.
























































