O coordenador-geral da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana (Aratrama), babalorixá Alberto Jorge, denunciou, nesta sexta-feira (31/12), ao Amazonas Hoje, o que ele classificou como racismo estrutural o tratamento oferecido pela Prefeitura de Manaus durante a realização do 11° Festival Afro-Amazônico de Yemanjá, que acontece desde o dia 29 de dezembro, na praia da Ponta Negra, zona oeste, e se encerra hoje.
Segundo Alberto Jorge, o evento, que reúne povos e comunidades tradicionais de Matriz Africana, desde a sua preparação para a realização do festival, enfrentou uma série dificuldades e barreiras impostas pela prefeitura, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (IMPLURB) e Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult). “A prefeitura chegou a exigir dois dias antes da realização do evento, (uma articulação em que estávamos tratando há mais dois meses), uma autorização dos Ministérios Públicos Federal e Estadual. Como se o MPF e MPE fossem responsáveis por autorizar algo, de competência exclusiva da prefeitura. Exigiram gravação de vídeo com membros do ministério público autorizado o evento”, comentou Alberto.
Segundo o religioso, durante os três dias de festival, os membros de aproximadamente 500 casas de axé de Manaus enfrentaram dificuldades para acessar o local do evento. “Ficou acertado com a prefeitura que o acesso seria pela escadaria, próxima aos postos da polícia, e do Tropical. Mas para nossa infelicidade, muita gente encontrou gradis impedindo a passagem. Colocaram até fita de isolamento para impedir a passagem principal de acesso à praia. Estava na cara o preconceito religioso contra o povo do Axé”, analisou, o religioso, informando que o festival consta no calendário oficial de eventos de Manaus.
Ápice
Alberto Jorge disse que durante os três dias de festival, a prefeitura sequer colocou um “bico de luz” nas três tendas utilizadas como bases de apoio do evento religioso. Ele lamentou a decisão da Manauscult em encurtar o horário de fechamento do festival, previsto para hoje às 8h, enquanto o balneário da Ponta Negra seguirá funcionando normalmente até o fim da tarde.
“Disseram para nós que a praia não iria funcionar para banhistas nesta sexta e por isso nosso evento teria de encerrar 8h. Mas soubemos agora pela manhã que a praia estará funcionando para os banhistas até 18h. Em nenhum momento falaram que a praia iria funcionar até 18h. Quer dizer que para os macumbeiros é um tratamento diferenciado dos demais? Além das dificuldades, eles não colocaram um ‘bico de luz’ nas tendas, onde nosso povo teve de fazer suas obrigações com lanternas de celulares. Foi o pior ano, nunca fizemos um evento às escuras”, denunciou o babalorixá, ressaltando que a sua associação irá tomar medidas judiciais sobre o caso.
O Amazonas Hoje aguarda posicionamento da prefeitura.



























































