Referência na dança negra contemporânea brasileira, a Cia Treme Terra chega a Manaus entre os dias 26 e 29 de agosto com uma programação que reúne dança, cinema e formação. A passagem pela capital amazonense integra a turnê nacional que celebra os 20 anos da companhia e terá duas apresentações de Florestas de Odé, espetáculo inspirado em Oxóssi, orixá associado às florestas e à caça, além de oficina de Dança Negra Contemporânea e exibição do documentário Danças Negras.
A programação começa no dia 26 de agosto, às 15h, com a oficina de Dança Negra Contemporânea no Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro. No dia 27, às 19h, o miniauditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) recebe a exibição do documentário Danças Negras. Já Florestas de Odé terá duas apresentações na cidade: no Teatro Amazonas, em 28 de agosto, às 20h, e no Teatro ICBEU, em 29 de agosto, também às 20h.
A chegada ao Amazonas coloca Florestas de Odé diante de um território diretamente relacionado a questões que atravessam a obra. Criado em São Paulo, o espetáculo parte das tradições da cultura iorubá difundidas no Brasil e das múltiplas facetas de Oxóssi para estabelecer relações entre ancestralidade, floresta e temas contemporâneos, como desmatamento, violência contra comunidades que dependem da floresta, exploração do trabalho e permanências da colonização.
“No Pará e no Amazonas, a presença da floresta, a diversidade das culturas negras e indígenas, os modos de vida das comunidades tradicionais e as disputas pela terra constituem experiências próprias. A chegada de Florestas de Odé a esses estados coloca a visão construída em uma megalópole como São Paulo em diálogo com públicos que convivem diretamente em outras urbes, bem como com um território com questões intrínsecas da Amazônia”, afirma o diretor João Nascimento.
Oxóssi entre a floresta e a cidade
Em Florestas de Odé, a figura ancestral de Oxóssi também ganha contornos urbanos. A companhia constrói a imagem do “Oxóssi da cidade”, que percorre a chamada floresta de pedra e encontra outros modos de caçar, abrir caminhos e garantir alimento para a família e a comunidade.
A partir dessa construção, o espetáculo aproxima o arquétipo do caçador do cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras submetidos a condições de exploração, violência e desigualdade nas cidades. A pesquisa estética tem como base as artes do corpo negro em diáspora e investiga como memórias ancestrais são reelaboradas diante dos desafios da vida contemporânea.
A temporada em Manaus cria um novo encontro para uma obra concebida em São Paulo. Na Amazônia, a discussão sobre floresta presente no espetáculo entra em diálogo com outras experiências urbanas, culturais e sociais e com públicos que vivem em um território onde as relações com a floresta assumem dimensões próprias.
“A dança participa desse movimento como linguagem viva, sensível ao espaço, ao público e à atmosfera de cada lugar. A arte formula perguntas cujas respostas podem surgir como mosaicos de pensamentos e possibilidades. Retornar ao Norte com Florestas de Odé representa essa possibilidade de troca, colocando a poética do espetáculo em diálogo com os saberes, as memórias e as percepções de cada território”, afirma João Nascimento.
20 anos de trajetória
A passagem por Manaus integra o projeto Florestas de Odé – Circulação Nacional em celebração aos 20 anos da Cia Treme Terra. A turnê começou em São Paulo e percorre Pará, Amazonas, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, com apresentações, oficinas de Dança Negra Contemporânea, exibições de Danças Negras e rodas de conversa.
Antes de chegar ao Amazonas, a companhia passou pelo Pará, com atividades em Belém e Parauapebas. A circulação marca as duas décadas de uma trajetória dedicada à investigação das relações entre culturas afro-brasileiras, dança contemporânea e os diferentes territórios brasileiros.
Com apresentações no Brasil e em países como Alemanha, Bulgária e Bolívia, a Cia Treme Terra reúne criação, formação e pesquisa artística. Ao longo da trajetória, teve trabalhos reconhecidos por iniciativas como o Prêmio Klauss Vianna, o Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo e o Prêmio Denilto Gomes.
A companhia também já havia estabelecido contato com a região Norte durante a circulação de Terreiro Urbano, um de seus trabalhos mais emblemáticos. Agora, retorna com Florestas de Odé e leva para esse encontro uma criação que tem a floresta como um de seus elementos centrais.
Dança, formação e cinema
A programação em Manaus não se restringe às apresentações. No dia 26 de agosto, a oficina de Dança Negra Contemporânea compartilha com os participantes aspectos da pesquisa corporal desenvolvida pela Cia Treme Terra ao longo de sua trajetória.
No dia seguinte, 27 de agosto, será exibido Danças Negras. O documentário reúne depoimentos de nomes das artes, da cultura popular e da produção intelectual brasileira, como Kabengele Munanga, Makota Valdina, Raquel Trindade, Lia Robatto, Helena Katz, Clyde Morgan, Edileusa Santos e Carlos Moore, ampliando a discussão sobre a presença da arte negra na contemporaneidade.
O projeto Florestas de Odé – Circulação Nacional em celebração aos 20 anos da Cia Treme Terra foi selecionado pela Chamada Instituto Cultural Vale 2025 e é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio do Instituto Cultural Vale.
SERVIÇO
Cia Treme Terra em Manaus
26 de agosto
Oficina de Dança Negra Contemporânea
Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro
Av. Pedro Teixeira, 2.565, Dom Pedro
15h
27 de agosto
Exibição do documentário Danças Negras
Miniauditório da UEA
Av. Djalma Batista, 3.578, Flores
19h
28 de agosto
Florestas de Odé
Teatro Amazonas
Largo de São Sebastião, Centro
20h
29 de agosto
Florestas de Odé
Teatro ICBEU
Av. Joaquim Nabuco, 1.286, Centro
20h
Com informações da assessoria