O número de crianças e adolescentes vítimas de algum tipo de violência cresceu nos primeiros sete meses de 2026. É o que apontam os dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com base no número de denúncias realizadas no Disque 100. Diante desse aumento, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) alerta para os riscos e os cuidados que devem ser tomados para evitar situações de violência contra esse público.
De janeiro a julho de 2025, foram registradas mais de 171 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes em todo o Brasil, nos canais da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH). No mesmo período de 2026, esse número subiu para 193 mil denúncias, o que configura um aumento de cerca de 12% nos registros.
No recorte local, o Amazonas aparece em 14º lugar no ranking nacional, com um total de 4.233 denúncias realizadas de janeiro a julho de 2026. Para a defensora pública Hélvia Castro, que atua na área de Infância, o aumento das denúncias também exige que a Defensoria Pública reforce sua atuação em diferentes frentes, para que a rede de proteção desse público seja ainda mais fortalecida.
“A Defensoria Pública integra a rede de proteção de crianças e adolescentes e atua tanto na prevenção quanto diante de situações de violação de direitos. Oferecemos orientação jurídica às famílias, acompanhamos as vítimas e adotamos as medidas judiciais e extrajudiciais necessárias para garantir sua proteção”, destacou.
Tipos de violência e como identificar
Entre os tipos de violência mais comuns estão a física, a sexual, a psicológica, a digital, além de situações que caracterizam negligência e abandono. Um dos primeiros sinais de que algo está errado com a vítima é a mudança de comportamento, como alteração de humor e mudanças de hábitos no dia a dia. A criança ou o adolescente também pode apresentar queda no rendimento escolar, receio ao toque e quadros de isolamento.
Violência física: caracterizada pelo uso da força excessiva, que pode provocar hematomas no corpo da vítima.
Violência sexual: acontece quando a criança ou o adolescente é coagido a praticar ou presenciar qualquer ato sexual, inclusive a exposição do corpo em fotos ou vídeos.
Violência psicológica: humilhações, gritos, críticas maldosas e exposição a situações vexatórias são algumas das características desse tipo de violência.
Violência digital: considerada um dos tipos de violência mais abrangentes contra crianças e adolescentes, pode se caracterizar pelo uso e compartilhamento de imagens com teor sexual, cyberbullying, uso de inteligência artificial para criar imagens falsas das vítimas, criação de perfis falsos, entre outras formas de violência.
Desde maio, mês da campanha Maio Laranja, a Defensoria Pública tem atuado em escolas públicas de Manaus com palestras educativas de prevenção à violência infantil. Nas ações, crianças, professores e gestores participam de dinâmicas lúdicas e interativas, que explicam como identificar sinais de violência, onde solicitar ajuda, quais são os canais de denúncia, entre outras orientações.
“As ações de educação em direitos nas escolas possuem o objetivo de orientar e prevenir situações de violência. Além disso, atuamos de forma articulada com os demais órgãos da rede de proteção”, concluiu a defensora pública Hélvia Castro.
Como denunciar
Em Manaus, casos de violação de direitos do público infantojuvenil podem ser denunciados diretamente na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), localizada na Avenida Via Láctea, Conjunto Morada do Sol, s/n, Aleixo, ou nas delegacias de cada município.
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) também oferece assistência e orientação jurídica, por meio do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (Nudeca), em casos que envolvam violência contra crianças e adolescentes. Os atendimentos podem ser agendados pelo telefone (92) 98559-1599.
As denúncias também podem ser feitas na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), de forma identificada ou anônima. O atendimento funciona 24 horas por dia, por meio do Disque 100. Pela internet, as denúncias podem ser realizadas no site da Ouvidoria, pelo WhatsApp (61) 99611-0100 ou pelo Telegram.
Com informações da assessoria























































