O epidemiologista e cientista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, afirmou, nesta quarta-feira (28/09), que nenhuma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está habilitada fora de Manaus. A afirmação contraria a informação dada pelo governador Wilson Lima (UB), que durante debate na Rede Amazônica, ontem (27), disse que o fato de o site do Ministério da Saúde (MS) não reconhecer a homologação das UTIs nas três cidades do interior, há unidade funcionando no interior e sendo custeada pelo Governo do Amazonas.
Jesem Orellana explicou que para um leito de UTI ser habilitado em uma unidade de saúde é necessário cumprir uma série de exigências junto ao Ministério da Saúde. “Para que um leito de UTI seja considerado habilitado pelo Ministério da Saúde é necessário atender a uma série de requisitos, não apenas financeiros, mas sobretudo de recursos assistenciais diversos e oportunos, de recursos humanos (distintas profissões, sobretudo médicos e enfermeiros) com habilitação compatível com a função e em número suficiente para suprir a demanda e não gerar exaustão e perda da qualidade assistencial ou de rigoroso cumprimento de protocolos diversos e de gestão/qualificação permanente de recursos humanos, para dar alguns exemplos de uma extensa lista de requisitos. Portanto, todos esses critérios são para garantir qualidade na assistência e respeito à vida e não para falácias eleitoreiras”, analisou o cientista.
Jesem Orellana derrubou o argumento utilizado por Wilson Lima no debate da Rede Amazônica que afirmou que o fato da homologação não constar no Ministério da Saúde é apenas “mera formalização”, sendo que a UTI está “funcionado e sendo bancada pelo Governo do Amazonas”. “Não é tão simples assim e reforça a total falta de conhecimento do Governador Wilson Lima em termos sanitários, tal como cansou de fazer durante a trágica experiência da epidemia de Covid-19 no Amazonas, quando milhares de amazonenses perderam suas vidas de forma plenamente evitável e tivemos que ouvir falsas declarações de que o Amazonas era referência na pandemia, mesmo diante das repetidas tragédias que horrorizaram a humanidade na pandemia”, declarou.
O pesquisador ressaltou que o Governo do Amazonas deveria esclarecer à sociedade se de fato as UTIs estão atendendo em Parintins, Tabatinga e Tefé, como anuncia o Executivo. “Deixando claro que tipos de leitos são esses, quem de fato paga os gastos e em que condições, como esse recurso está sendo aplicado e monitorado; como anda a taxa de ocupação desses leitos, se esses leitos estão atendendo às principais demandas médicas (perfil epidemiológico) de cuidados intensivos do município (e do entorno) que foram instaladas; em que fase do processo de habilitação junto ao Ministério da Saúde cada um desses leitos está; qual o impacto desses leitos na mortalidade ou nos gastos em saúde com transferência de pacientes para outras cidades/estados, para dar alguns exemplos”, explicou.
UTI
Em uma rápida consulta no Boletim Epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), o próprio Governo do Amazonas não informa a quantidade de leitos de UTI no Painel de Capacidade da Rede Instalada no Interior do Amazonas. Há 43 leitos de UCIs gerais e também 158 UCIs Covid no interio. Não há nenhum leito de UTI citado no boletim. É possível constatar a quantidade de UTIs para o atendimento de Covid e de clínica geral instalada em Manaus. Veja pelo link: https://www.fvs.am.gov.br/media/publicacao/27_09_22_BOLETIM_DIARIO_DE_CASOS_COVID-19.pdf .
UCIs
Jesem Orellana destaca também que no interior do Amazonas há instalação de Unidades de Cuidados Intermediários (UCIs). “Na realidade, o pouco que há em termos de interiorização desse nível assistencial é a dispersão minguada de algumas unidades de cuidados intermediários habilitadas pelo Ministério da Saúde, em cerca de meia dúzia de municípios do interior e essas informações podem ser facilmente checadas no site do Ministério da Saúde”, finalizou.





























































