O O Globo informou neste domingo (12) que o indigenista Bruno Pereira, desaparecido há uma semana no Vale do Javari, no Amazonas, com o jornalista inglês Dom Phillips, já havia denunciado o principal suspeito de envolvimento no caso, Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado. que teve a prisão temporária decretada na quinta-feira.
A informação consta em relatórios sobre inspeções feitas na Terra Indígena (TI) pela equipe de vigilância da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) com relatos de invasão, presença de grupos armados, ameaças e até ataques a tiros contra indígenas.
Segundo a reportagem, os documentos, produzidos no ano passado e este ano, foram entregues ao Ministério Público Federal de Tabatinga, à Força de Segurança Nacional, sediada na região, e à própria Funai, de acordo com o relato dos indígenas. Além de vistorias feitas entre agosto e setembro de 2021, os indígenas relatam que, na sexta peregrinação pelo território, que tem cerca de 8 milhões de hectares, puderam constatar o aumento das invasões de criminosos e embarcações de grande e médio porte que estavam retirando “milhares de tracajás e tartarugas” e “toneladas de carne de Pirarucu” que eram vendidos no centro de Atalaia do Norte. Armados e com os rostos encobertos, os pescadores ilegais conseguiam entrar e sair da TI passando pela base na Funai.
Bruno colaborava com os indígenas, ministrando cursos sobre manuseio de mapas e operação de drones para que eles pudessem fiscalizar Javari, já que o desmonte da Funai, que fez uma série de exonerações e cortou gastos, a impossibilitava de exercer as funções. O servidor, que já tinha coordenado as atividades do órgão federal na área, que é a segunda maior reserva indígena do país e abriga a maior concentração de povos isolados do mundo. Após ser afastado da coordenação de povos isolados e de contato recente da Funai, o indigenista pediu licença da fundação “por motivos pessoais”. Ele divergia da gestão da autarquia, que hoje tem à frente o delegado Marcelo Xavier, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Sobre as revelações entregues ao MPF, a Univaja pede sigilo porque elas conteriam informações sensíveis à estratégia de proteção da área indígenas. Junto com o material, foram apresentadas imagens de embarcações abandonadas pelos criminosos em fuga. A sexta inspeção, mais detalhada, era composta por nove indígenas, que contaram ter havido confronto com bandidos quando estavam vigiando os limites do território.
“Podemos afirmar que a invasão continua intensa e, com a cheia dos rios, quando a floresta é inundada, o aumento do ‘ingresso’ de infratores foi constatada pela EVU (equipe de vigilância da Univaja) em campo e por nós na cidade do Atalaia do Norte”, diz o relatório.



























































