O epidemiologista e cientista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, informou, neste sábado (1712) que o Brasil se aproxima do fechamento da Semana Epidemiológica 50, considerando o período de 11 a 17 de dezembro de 2022, com cerca de 1.100 mortes evitáveis por Covid-19. Segundo ele, este é o maior número semanal desde a semana 34, no período de 21 a 27 de agosto ou dos últimos 4 meses.
“Além disso, temos em torno de 80 milhões de brasileiros sem a primeira dose de reforço da vacina contra a Covid-19; outros 24 milhões sem a segunda dose de reforço e os mais de 10 milhões que sequer tomaram a primeira dose do esquema básico. Felizmente, nossa democracia resistiu e pôs fim ao Governo Bolsonaro, que se despede mergulhando os brasileiros em novo ciclo de infecções e mortes evitáveis, em plena turbulência do comércio, de mais aglomerações da Copa do Mundo de Futebol e na véspera dos festejos de fim de ano (confraternizações diversas, natal e ano novo)”, analisou o cientista.
Luto
Jesem Orellana prevê que muitos brasileiros deverão enfrentar os próximos dias em meio às novas infecções e mortes por Covid-19.
“Milhares de lares devem passar parte do mês de janeiro, novamente, enlutados ou cuidando de familiares e conhecidos doentes por Covid-19, muitos gravemente. O próximo Governo precisa, inadiavelmente, de um Ministério da Saúde fortemente alinhado com uma gestão responsável, técnica, em estreito diálogo com a ciência e com as principais necessidades dos usuários, trabalhadores e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS)”, alertou Jesem.
Para ele, o Ministério da Saúde precisa ser ativo no combate à pandemia.
“É inaceitável ver o Ministério da Saúde ser tratado como um balcão de negócios político-partidário, em cenário de grave crise sanitária, bem como de subfinanciamento e desastrosa gestão do SUS, como a do Programa Nacional de Imunizações (PNI). É imperativo não apenas a exemplar punição dos responsáveis pelos cerca de 700 mil mortos por Covid-19 no Brasil, como também a reconstrução da imagem do desacreditado Ministério da Saúde, em particular da figura do ministro de Estado da Saúde, vilipendiada por astutos, desqualificados e irresponsáveis personagens nos últimos anos.”, disse, completando:
“Um bom começo poderia ser o inédito anúncio de uma ministra da Saúde, dando às mulheres mais oportunidades e protagonismo onde sempre foram colocadas em papéis de menor importância, mesmo sendo maioria na saúde pública brasileira, sabidamente solidárias e competentes”, finalizou.
























































