No último dia 23 de junho, o epidemiologista e cientista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, alertou em entrevista ao site 18 Horas/Rádio Mix sobre o aumento de novos casos e de internações por Covid-19 em Manaus e a incidência e vigência da quarta onda da pandemia na capital, que segundo ele, deveria se intensificar com as grandes aglomerações. A previsão pode ser constatada no boletim divulgado ontem (11) pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). Em apenas 11 dias do mês de julho, o Amazonas registrou 5.844 novos casos de Covid-19, sendo 3.643 infecções pelo coronavírus em Manaus.
Estão internadas neste momento 109 pessoas, sendo 89 em Manaus (15 na UTI) e 20 pessoas no interior do Amazonas. O dado representa um aumento de 87,49% no número de internações registradas no dia 1 de julho, onde 58 pessoas estavam internadas em hospitais amazonenses.
Confira a entrevista com o cientista Jesem Orellana:
Já passou da hora de o Governo do Estado baixar novos decretos com medidas de combate à Covid-19?
Jesem Orellana – Daqui em diante, qualquer medida à contenção da circulação viral, como uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados e no transporte coletivo ou testagem em massa, por exemplo, servirão apenas como paliativos tardios e para dizer que algo está sendo feito, pois o número de infectados é novamente muito alto. Ademais, o número de internações por Covid-19 já começou a aumentar mais rapidamente e as mortes evitáveis voltaram a ocorrer com mais frequência. É triste, mas não há qualquer preocupação na prevenção de cenários como este, que não apenas geram gastos evitáveis, mas disseminações virais desnecessárias, mortes evitáveis e novas chances para mutações potencialmente graves.
A que se atribui essa negação da quarta onda de Covid no Amazonas? Qual a variante que está em alta neste momento no Amazonas?
JO – Um negacionismo epidêmico, incluindo a vacinação e uso de máscara, impulsionado pelo cansaço da população com cerca de três anos de epidemia, negligência sanitária e evolução do novo coronavírus, para versões cada vez mais transmissíveis, a exemplo das descendentes da Ômicron, como a BA.2 e a BA.5. É triste, mas enquanto vemos a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Fiocruz/Amazônia voltarem a adotar controle rígido da circulação viral, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em especial a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA/UEA), que foi exemplar nos primeiros anos da epidemia, finge que nada demais está acontecendo, mostrando o seu lamentável alinhamento à política de contar mortos dos bolsonaristas do Governo Federal, estado do Amazonas e Prefeitura de Manaus.
Só a campanha de vacinação como governo e prefeitura incentivam vai frear essa larga contaminação?
JO – Não e isso já estava claro desde o fim de 2021. Mas, tanto o Governo do Estado do Amazonas como a Prefeitura de Manaus, seguem investindo na frágil narrativa de que vacina sozinha faz milagre. Como ambos estão certos da impunidade, diante da ineficaz gestão da epidemia, simplesmente contam doentes, mortos e sequelados pela Covid-19, sem qualquer preocupação com as consequências. O ideal seria retomar o uso obrigatório de máscaras, limitar grandes eventos e aumentar a testagem em massa e o correto acompanhamento dos infectados/doentes. O
O governador Wilson Lima mais uma vez ignora o avanço exponencial de contaminações por covid no Amazonas?
JO – É esperado que o Governo do Amazonas faça vista grossa à triste e rotineira disseminação viral durante o período pré-eleitoral de 2022, uma vez que as tragédias de 2020 e, principalmente, de 2021 serviram como balões de ensaio para a banalização da morte, das recomendações da ciência e do bem-estar da população. Infelizmente, o Governo do estado do Amazonas, a Prefeitura de Manaus e o Governo Federal, enxergam a epidemia de Covid-19 com os mesmos olhos e é por isso que o Amazonas, Manaus e o Brasil são recordistas em disseminações virais descontroladas, mortes e negacionismo epidêmico.
Boletim
O Amazonas voltou à fase laranja, risco moderado de transmissibilidade de Covid-19, após registrar um aumento em casos positivos e internações pelo vírus. A mudança foi anunciada nesta segunda-feira (11) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), 10 dias após o estado entrar na fase amarela.
Conforme o boletim, nos últimos 14 dias (22/jun a 05/jul), houve um aumento de 756% na média diárias de casos de Covid-19 no estado, e no mesmo período foi observado aumento de 692% (de 39 para 309 casos) no número médio diário de casos registrado na capital, e aumento de 1033% (de 9 para 102 casos) no interior do estado.
























































