Contrário ao presidente Jair Bolsonaro (PL), o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PSD), fez aliança com o governador do Amazonas, o bolsonarista Wilson Lima (PSC), de olho na reeleição no pleito vindouro. Ao longo da vida política, os dois já trocaram graves acusações. Governador Wison já chamou Ramos de “traidor” e o deputado federal classificou o chefe do Executivo estadual como irresponsável.
No começo de sua carreira política, Wilson Lima foi pré-candidato a vice-prefeito na chapa de Marcelo, em 2016, durante a eleição para prefeito de Manaus. Na época, o jornalista foi escolhido pela influência no programa policialesco “Alô Amazonas”, com o objetivo de levar para a chapa o peso da Rede Calderaro de Comunicação (TV A Crítica), onde era apresentador.
Wilson Lima foi tirado da chapa, segundo Marcelo Ramos, à época, para que a coligação “assumisse projetos ainda maiores” tendo o então deputado estadual Josué Neto (PSD) como vice. Wilson Lima respondeu que foi traído e que “quando a gente esperava uma posição firme (…) o Marcelo se rendeu”.
Em 2019, na tribuna da Câmara dos Deputados, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos, criticou o já governador Wilson Lima pelo congelamento dos salários do funcionalismo público estadual por dois anos, numa medida que ele chamou de “irresponsável e provocativa com os servidores”, por parte do governador do Estado. Disse que “em 100 dias de governo, as dispensas de licitações promovidas pelo governador do Estado do Amazonas significaram a dispensa de R$ 1 milhão por dia”. E chamou Wilson Lima de “um governador deslumbrado, sem autoridade, fraco politicamente, que não governa, que não entende como funciona o Estado e que tem trazido muita frustração”.
MPF
Marcelo Ramos chegou a ingressar com representação Ministério Público Federal (MPF) contra o governador Wilson Lima e o então secretário estadual de Educação, Luiz Castro, pela contratação com dispensa de licitação de empresa para fornecimento de merenda escolar. Pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal do governador, de Luiz Castro e das empresas G.H Macario Bento e Bento Martins de Souza Eireli.
O deputado disse que houve “desrespeito por parte do Governo do Amazonas” ao cumprimento de princípios administrativos, “principalmente no que se refere à eficiência e legalidade administrativa”. A contratação emergencial, sem licitação, das duas empresas foi de R$ 32,9 milhões.
Depois, Marcelo Ramos mudou o discurso contrário ao governador. Em entrevista à revista Época, eximiu Wilson Lima de culpa pela falta de oxigênio e culpou o governo federal. E articulou contra o impeachment do governador junto a parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado (ALE). Alegou que a crise era esperada devido à “inexperiência” do governador.
Elogios
Nos últimos meses, a relação entre os dois mudou. Wilson Lima parabenizou Marcelo Ramos pela conquista como 1° vice-presidente na Câmara dos Deputados. E Marcelo Ramos está participando das solenidades do governo do Amazonas, ao lado de Wilson Lima, a quem considera hoje, como disse ao site Real Time1, “um candidato competitivo” a se manter na cadeira de governador, por mais quatro anos.


























































