A velocidade de contaminação ativa em Manaus nos primeiros 12 dias do ano, que já fez a cidade a superar o número total de casos de todo o mês de dezembro de 2021, é a demonstração da força da nova variante da Covid-19, a Ômicron. Conforme o epidemiologista da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana, a nova cepa deve afetar também os demais municípios, como ocorreram nas duas primeiras fases da pandemia.
“Pela incrível velocidade de disseminação, sim e, com certeza, era plenamente evitável e vai afetar os vulneráveis municípios do interior do Amazonas. Mas, novamente, deixamos para agir só depois da explosão de casos, tal como na primeira e segunda onda. Limitada aprendizagem e certeza de impunidade”, comentou o cientista.
Jesem Orellana alerta que a positividade de testes de antígeno para Covid-19 aumentaram em Manaus significativamente assim como as internações. “Valor alarmante (49% – 12/Jan/2022), um a cada dois testados. Testes de RT-PCR seguem o rumo. Internações diárias médias (Figura 1) em leito clínico aumentaram 76% e em UTI 60%. Medidas urgentes e mais agressivas são necessárias. Logo aumentarão as mortes evitáveis!”, analisou.
Medidas
Questionado se já é hora de endurecer as medidas restritivas, o cientista Jesem Orellana salientou que é urgente a tomada de decisão para frear um cenário ainda pior em Manaus e evitar mortes. “Passou da hora de novas e mais agressivas medidas para conter a explosiva dispersão viral em Manaus, tanto no setor público como no privado e no transporte coletivo, por exemplo”, declarou.
O pesquisador da Fiocruz Amazônia citou três tomadas de decisão imprescindíveis para o atual cenário pandêmico de Manaus:
1 – Aumentaria fortemente a fiscalização de aglomerações e uso de máscaras e limitaria fortemente a circulação de pessoas, com toque de recolher e lei seca entre 19 horas e 05h00 da madrugada (ao menos 15 dias);
2- Suspenderia eventos sociais de caráter privado, sem a venda de ingressos, como casamentos, aniversários, formaturas, por exemplo (ao menos 15 dias);
3 – Usaria a capacidade máxima para realização de testes de antígeno e principalmente de RT-PCR, em conjunto com o município de Manaus, aumentando o número de unidades básicas de saúde para atendimento/acompanhamento/rastreamento de casos suspeitos/confirmados de Covid-19.
Testagem
Perguntando também sobre a decisão de testagem em massa, dois anos depois de pandemia em Manaus, em um único local, quando a capital registra recorde de novos casos, Jesem disse que a decisão pode se tornar um fracasso e um fator para disseminar o vírus entre a população presente no centro de testagem.
”Qualquer atividade mal programada e sem qualquer preparo da população e dos trabalhadores de saúde tende ao fracasso. Um exemplo recente foi o do populismo sanitário com vacinas em 2021, com mutirões e suas longas filas imperdoáveis, tal como estamos vendo agora com essa tardia testagem em massa, em meio a explosão de casos de Covid-19. Infelizmente, fonte potencial para infecção cruzada por diferentes agentes infecciosos”, finalizou.

























































