A Organização Mundial da Saúde (OMS) inicia 2026 com novas regras para o tratamento da obesidade. A primeira diretriz da entidade sobre medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida, usados para emagrecimento, reconhece que eles funcionam, mas aponta o preço alto e o uso indiscriminado como alguns dos maiores problemas. No Brasil, a barreira do custo deve começar a cair este ano com a quebra da patente da semaglutida em março, o que permitirá uma redução drástica nos preços.
Com a perda de exclusividade sobre a fórmula para o emagrecedor após 20 anos (tempo padrão na legislação brasileira), outras empresas podem fabricar os “genéricos” ou “biossimilares” (versões do remédio feitas com biotecnologia). A expectativa é que o valor nas farmácias caia pela metade. No entanto, fica o alerta: o acesso mais fácil exige um cuidado redobrado nas orientações gerais de uso e no tratamento indicado pelos médicos.
“É importante o paciente ter a consciência de que os remédios não são ‘soluções mágicas’. A OMS recomenda que o uso seja focado em adultos obesos que já tenham outros problemas de saúde, com exceção de gestantes. A diretriz desencoraja o uso apenas por estética, por exemplo”, afirma o supervisor farmacêutico da rede Santo Remédio, Jhonata Vasconcelos.
A orientação da OMS segue a mesma linha do protocolo já em vigor no Brasil, considerando que pacientes que desejam fazer uso do medicamento precisam primeiro buscar atendimento médico e obter uma receita com a indicação do tratamento por meio do uso de emagrecedores.
Outra novidade para este ano é a possibilidade de emagrecedores em comprimido chegarem ao mercado. Em dezembro, a agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos aprovou a pílula da Wegovy (um emagrecedor), o que também poderá ajudar a tornar o tratamento mais acessível, considerando o menor custo de tratamento e a maior facilidade na utilização do medicamento.
Cuidados permanecem
A nova política da OMS explica que a obesidade é uma doença crônica — ou seja, que não tem cura rápida e exige cuidados por muito tempo. No caso do Brasil, a maior preocupação é que o preço menor faça com que parte da população obesa ou acima do peso não considere que o remédio mexe com o organismo.
Vasconcelos reforça que o medicamento altera o metabolismo, que é o conjunto de reações do corpo para gerar energia. “O acesso facilitado não pode virar automedicação, especialmente nos casos em que se obtém o remédio por outros meios. O uso incorreto dos emagrecedores pode gerar uma série de efeitos colaterais, como perda excessiva de açúcar no sangue e complicações digestivas graves”, afirma.
Tratamento completo
Outro ponto importante é o cuidado com a alimentação e a atividade física. A OMS alerta em sua diretriz que o remédio tira o “alerta da comida” no cérebro, mas a pessoa precisa continuar comendo nutrientes para não ficar fraca. O foco do tratamento deve ser a saúde do corpo inteiro, e não apenas o número que aparece na balança.
“O paciente precisa compreender que o sucesso do remédio depende de seguir essas normas. O medicamento não pode ser o único fator considerado. É necessário ter mudanças reais na alimentação e consultar um profissional para avaliar quais atividades físicas podem complementar o tratamento”, conclui Vasconcelos.
Com informações da assessoria





















































